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COMISSÃO ETNO BIRIGUI REPRESENTA O IFSP NO I FÓRUM DE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

Publicado: Segunda, 14 de Setembro de 2026, 19h16 | Última atualização em Segunda, 14 de Setembro de 2026, 19h16 | Acessos: 8

Encontro realizado no Território Indígena Icatu fortaleceu o protagonismo indígena e contribuirá para a gamificação do aplicativo Acervo Digital Aldeia Icatu

No dia 28 de agosto de 2026, o IFSP Campus Birigui participou do I Fórum de Educação Escolar Indígena – SP, realizado na Escola Estadual Indígena Índia Maria Rosa, no Território Indígena Icatu, em Braúna (SP). Com o tema “Educação Escolar Indígena no Século XXI: Direitos, Identidade e Construção de Saberes”, o evento reuniu comunidades indígenas, educadores, estudantes, gestores e representantes da sociedade civil.

     O Campus Birigui foi representado pela Comissão ETNO Birigui, por meio da participação de estudantes, docentes e integrantes da sociedade civil, dentre elas,  a militante indígena Luana Guarani, Prof. Willian, Prof. Genivaldo, das alunas/os Ana Carolina, Kauan e Vinícius (Terceiro ano do curso técnico de Administração integrado ao Ensino Médio), além da presença do Professor Alonso Bezerra de Carvalho (Líder do Grupo) e Letícia Florêncio, integrantes do GEPEES (Grupo de Estudo e Pesquisa Educação, Ética e Sociedade - UNESP Marília), também liderado pelo Prof. Genivaldo. 

     A programação abordou temas como a desconstrução de estereótipos sobre os povos indígenas, os direitos assegurados pela legislação, a interculturalidade, a preservação das línguas originárias, o pertencimento, a representatividade e o protagonismo indígena na sociedade contemporânea. Concebido e conduzido a partir das experiências dos próprios povos indígenas, o Fórum constituiu um importante espaço de escuta, formação e construção coletiva.

     Para o professor Genivaldo de Souza Santos, presidente da Comissão ETNO Birigui, a participação no evento representou a realização de um propósito há muito defendido pelo grupo: “É um sonho realizado participar de uma formação que vem dos próprios indígenas e é organizada por eles. Nossa luta é justamente para que os povos indígenas possam falar por si, produzir conhecimentos e conduzir os processos formativos relacionados às suas culturas, aos seus territórios e aos seus direitos.”

     Entre as discussões realizadas, destacou-se a reflexão sobre o que caracteriza uma educação escolar propriamente indígena. A partir das falas e experiências compartilhadas, evidenciou-se que essa educação está profundamente vinculada ao contato com a natureza. Nessa perspectiva, a natureza não constitui apenas um espaço de recreação ou refúgio: ela é o próprio espaço da aprendizagem, da memória, da cultura e da formação comunitária.

    Essa concepção contrasta com modelos escolares não indígenas frequentemente organizados em ambientes controlados e marcados por uma relação mais instrumental com a natureza. A Educação Escolar Indígena, por sua vez, amplia os limites da sala de aula e reconhece o território como parte constitutiva do processo educativo.

     Durante o Fórum, o professor Genivaldo também dialogou com lideranças indígenas e conheceu trabalhos pedagógicos desenvolvidos pelas professoras e pelos professores da EEI Índia Maria Rosa. Com o apoio da diretora da unidade, professora Maira, foi possível ter contato com jogos e materiais educativos voltados ao ensino e à valorização das línguas Terena e Kaingang.

     Os registros realizados durante a visita contribuirão para a nova etapa de desenvolvimento do aplicativo Acervo Digital Aldeia Icatu, lançado oficialmente em 2026 e disponível na Google Play. O aplicativo reúne fotografias, artesanato, conhecimentos tradicionais e registros da história da aldeia, constituindo uma ferramenta de educação, memória, resistência e valorização cultural.

A etapa de continuidade e gamificação do aplicativo está sendo desenvolvida pelo estudante Pedro Henrique da Silva Batista, orientando do professor Genivaldo, no âmbito do projeto “Acervo digital, educação patrimonial e gamificação”. O trabalho concentra-se no desenvolvimento e na adaptação pedagógica de recursos interativos voltados especialmente ao público infantil e escolar.

     Entre os recursos previstos estão um quiz, um jogo da memória e um caça-palavras, elaborados com conteúdos relacionados às culturas e às línguas Terena e Kaingang. Os materiais serão selecionados e validados em diálogo com a comunidade indígena e com a equipe da EEI Índia Maria Rosa. Desse modo, os jogos e as demais atividades não serão apenas inspirados na cultura indígena, mas construídos a partir das orientações dos próprios indígenas, respeitando seus saberes, suas línguas e suas tradições.

     A iniciativa demonstra que a tecnologia também pode contribuir para a preservação da memória, a valorização das línguas originárias e a difusão dos conhecimentos indígenas, desde que seja construída em diálogo com as comunidades e orientada por seu protagonismo.

A participação no Fórum fortalece a parceria entre o IFSP Campus Birigui, a EEI Índia Maria Rosa e as comunidades do Território Indígena Icatu, reafirmando o compromisso institucional com uma educação antirracista, intercultural e comprometida com o reconhecimento dos direitos, das identidades, dos territórios e dos saberes indígenas.

CONHEÇA O APLICATIVO

Acervo Digital Aldeia Icatu – disponível na Google Play:

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.aldeiaicatu.acervodigital

 

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